Estágio Curricular: boa sorte às próximas turmas!
By estabulo On 4 out, 2012 At 01:42 PM | Categorized As Textos | With 2 Comments

Há um pouco mais de um ano atrás, estive presente na primeira reunião sobre o Estágio Curricular Obrigatório. Logo no começo, nos foi passado a informação: “a FMVZ tem convênio com mais de 200 instituições, não é possível que nenhuma dessas se enquadre ao que vocês procuram”.

A impressão que eu tive, e agora enxergo com clareza, é que a nossa faculdade NÃO quer que você faça o melhor estágio do mundo. A FMVZ quer, simplesmente, que você, aluno, dê o menos trabalho possível a ela. Que você se acomode com a lista de convênios que ela apresenta, se forme, e não fale mais nisso.

Mas primeiro vamos dar nome aos bois. Quando disse “FMVZ” estou me referindo APENAS ao Conselho de Estágio. Aliás, outro problema confuso: como se chama o Conselho de Estágio? Conselho de Estágio Curricular Supervisionado (CECS)? Conselho de Estágio Curricular Obrigatório (CECO)? Parece besteira, mas em alguns formulários devemos nos destinar ao CECS, e em outros ao CECO. E isso gera uma leve confusão e ilustra que o CECS/CECO já começa desorganizado.

A confusão de chamar a mesma coisa por vários nomes não pára por aí. Inúmeras vezes os alunos sentem-se confusos quando o CECO se refere ao Professor Supervisor (aquele docente da FMVZ que o estagiário escolhe) ora como “Supervisor”, ora como “Orientador”; e o Orientador do Local de Estágio (aquele que é responsável pelo estagiário apenas nos respectivos módulos de estágio) ora como “Orientador”, ora como “Supervisor”. Pois é, é confuso mesmo. Se você teve que ler esse páragrafo mais de uma vez para entender, imagine a comunicação confusa e ambígua do CECO com o aluno.

De um jeito ou de outro, devemos realizar nosso estágio curricular e procurar um local de estágio. E muitas vezes, mesmo com a lista de mais de 200 lugares com convênio, queremos encontrar algo que achamos que será de maior utilidade para a nossa formação. Em outras palavras, muitas vezes nos interessamos por uma oportunidade de estágio em algum local que não se encontra na lista de 200 convênios.

A falta de organização começa por aí. O Professor Supervisor acha que o CECO deve correr atrás do convênio. O CECO tira o corpo fora e acha que o Professor Supervisor deve correr atrás do convênio. Pra quem sobra? Claro, para o próprio aluno, que então se encarrega do bendito convênio. Às vezes ele consegue, às vezes não. Quando vemos os documentos no site da FMVZ, tudo parece um tanto claro e fácil quanto a firmar um convênio. Mas na realidade, a informação nos é passada de um jeito nada claro, e conforme os trâmites vão acontecendo, descobrimos a necessidade de um documento a mais ou a menos no caminho. Não preciso nem falar que essa desorganização por parte nossa e da FMVZ não pega bem pro nosso lado, sob o olhar da instituição que tentamos firmar convênio.

De fato, acredito que o Professor Supervisor deve lidar com questões técnicas, e não com questões burocráticas. Procurar contatos, e não contratos, com as instituições cabe ao Professor Supervisor. O CECO deve lidar com as questões burocráticas. E firmar convênio é uma questão burocrática.

A minha dúvida é que, se o CECO não corre atrás do convênio, para que ele existe? Qual a real função do CECO além de organizar datas para a nossa apresentação e organizar nossas notas finais?

Claro, se eu fizesse essa questão a diretamente alguém do CECO, essa pessoa me olharia torto e me mostraria toda a papelada que eles têm a organizar – incluindo nossos formulários de relatórios parciais, nossos curriculums vitaes, nossa programação de estágio entre todas as outras infinitas papeladas que temos a preencher e lhes entregar, os e-mails de lembretes que eles nos enviam, as dúvidas dos alunos, e como eles têm que lidar com cada caso.

Mas sinceramente, me pergunto o quanto disso é útil. Por exemplo: as “Normas para o Estágio Curricular Supervisionado da FMVZ” explicam de forma detalhada quais os critérios para ordenar os alunos para o caso em que, por exemplo, dois alunos queiram fazer o mesmo estágio no mesmo local (e se esse local só tem 1 vaga). Isso é feito para ditar quem têm a “prioridade” sobre o outro para pegar o local primeiro. Em outras palavras, o CECO faz uma análise detalhada do nosso currículo (que devemos entregar com nossos certificados xerocados), e nos dá uma nota que junta o nosso currículo com a nossa média ponderada para ver quem tem prioridade sobre quem para fazer o tal estágio.

Isso dá trabalho ao CECO?! COM CERTEZA! Me deixaria louca só de pensar em ler 80 currículos por ano e dar nota pra todo mundo, e depois julgar quem vai fazer estágio onde e quando.

Mas isso é necessário?! O que acontece na prática? É assim que funciona? Tenho motivos para crer que não. Na prática, a instituição de estágio (e não o CECO) escolhe quem tem prioridade sobre quem e quando o aluno deve cumprir seu estágio. A própria instituição deve ter suas regras de escolha, e os seus critérios podem variar de “quem pediu primeiro” até “quem tem o melhor currículo”. De um jeito ou de outro, ao meu ver não cabe ao CECO fazer os alunos “competirem” pela mesma vaga nos locais de estágio. Essa regra só deveria se aplicar (e talvez na prática é o único caso que se aplique mesmo) aos alunos que desejam fazer estágio na própria FMVZ. Para que eu tive que compilar todos os certificados que obtive durante minha graduação, montar um currículo vitae de acordo com os padrões do CECO, se eles não usaram para NADA essa informação? Não deu trabalho apenas a mim, mas ao próprio CECO! Não seria mais proveitoso para os dois lados se, em vez disso, o CECO estivesse realmente disposto a firmar e renovar convênios?

Outro ponto. O CECO não está pronto para lidar com as exceções. Se o aluno permanece os três módulos no mesmo local do estágio realizando as mesmas atividades, me parece óbvio que ele não precisa pedir ao orientador do local do estágio três vezes para ser avaliado e preencher três formulários de relatório parcial igual. É inútil e uma medida nada inteligente! E isso é uma exceção? Quantos alunos optam por realizar todo o estágio obrigatório em um só local? Era de se esperar que o CECO soubesse lidar, de imediato, com essas “exceções” que, no final, não são tão excepcionais.

O mais triste de tudo isso é a falta de boa vontade no atendimento do CECO para com os alunos, que por muitas vezes beira à falta de ética e à incompetência. A minha ética, no entanto, me impede de explanar aqui no Estábulo os casos que aconteceram comigo e com outros, mas sugiro que, quem tiver interessado em exemplos, fale diretamente com alunos que fizeram estágio esse ano.

Enfim. Acredito que a burocracia seja uma ferramenta de auxílio à organização. O CECO, no entanto, conseguiu estabelecer uma burocracia extremamente DESORGANIZADA, em que ninguém sabe ao certo quais documentos são necessários, qual o prazo, quais as exceções à regra.

E mesmo estando nesse mar de burocracia desorganizada a cumprir, nos foi passado que, a partir do ano que vem, será exigido aos alunos que desejam fazer estágio no exterior que realizem exames de proeficiência na língua do país de destino. Esses exames custam em todo de 400 a 500 reais. A justificativa? Para garantir que os alunos não façam um estágio em um país que não saibam a língua, porque isso “envergonharia” o nome da faculdade.

Não, calma, sejamos racionais. A FMVZ está corretíssima em incentivar que seus alunos façam exames de proeficiência de línguas. Com certeza nos seria útil no futuro. E está certa em enfatizar que, se você vai sair do país, saiba falar a língua! Alunos, tenham bom censo! Não façam estágio nos EUA se não souberem falar inglês! Não façam estágio na Argentina se não souberem falar espanhol! Mas OBRIGAR exame de proeficiência (R$ 400) aos alunos que desejam realizar estágio fora do país?! E com ESSA justificativa? O mais lógico não seria a instituição estrangeira exigir esse tipo de documento dos requisitantes a estágio, SE ela julgasse necessário? Sejamos realistas, geralmente as instituições estrangeiras JÁ possuem uma lista um tanto volumosa dos documentos que devemos lhe apresentar antes de sermos aceitos ou não como estagiários. Cabe à FMVZ exigir do aluno ainda um outro documento, que a instituição estrangeira não pediu? Aliás, a FMVZ já não tem burocracia suficiente para cumprir, que mal cumpre?

O CECO não deve cobrar essa burocracia a mais de nós, alunos, se o CECO já não sabe lidar com a burocracia que já requerem. É nesse ponto que a burocracia deveria ganhar outro nome: hipocrisia.

Resumindo, o Conselho de Estágio atual é burocrático demais, desorganizado demais, não se mostra interessado em ajudar os alunos como deveria, e por vezes é anti-ético e incompetente.

E antes de se preocupar com nós, alunos, “envergonhando” o nome da FMVZ, preocupem-se com nós, alunos, nos formando como bons médicos veterinários ou não.

 

Gabriela Takeda (Kituké?! 74) – gabitakeda@hotmail.com

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